Los hermanos

"O mais profundo sinal da malevolência social é a falta de senso de humor".
"Se pudéssemos desterrar do nosso vocabulário a palavra sério, muitas coisas melhorariam".

Essas duas frases me marcaram ao ler o livro A volta ao dia em 80 mundos, de Julio Cortázar. O autor argentino escreve um conto sobre a seriedade de seu povo e com sua peculiaridade na escrita vai desenrolando o tema. 

Eu fiquei dias pensando nessas frases e analisando como a vida é simples e o quanto as pessoas a complicam. Lembrei de situações, de pessoas. O que eu não imaginava é que, de fato e de maneira geral, o povo argentino é além de sério. Na minha breve viagem que fiz pra lá na semana passada, entendi o que Cortázar escreve sobre seus conterrâneos. Eles não falam, gritam. Os comerciantes e taxistas quando descobrem que você é brasileiro tentam tirar vantagem do nosso valioso Real. Estão dispotos a te dar informação, mas não de explicá-la com detalhes, caso você não tenha compreendido direito. Eles são fechados. São malandros. Na terra dos hermanos, as mulheres me pareceram forte - talvez, inspiradas em Eva Peron - elas tem olhar determinado, falam firme. Até das crianças era difícil arrancar um sorriso.

Ainda que com toda seriedade, eu gostei da capital e voltaria outra(s) vez(es).

O pombo e o couro


Geralmente mulher tem pavor de barata. Eu não. Eu passo por ela como se nada estivesse a minha frente. Se alguma amiga estiver comigo e der aquele grito histérico, eu mato a pobrezinha - da barata, é claro. Realmente as baratas não fazem diferença na minha vida. Mas, como toda mulher que se preza eu tenho um pavor e é com pombas. Na verdade é um pânico, mesmo. Do tipo de eu ter que atravessar a rua ou, pelo menos, passar bem longe delas. Eu fico arrepiada de ver um pombo passando na minha frente. Passo por eles abanando as mãos para espanta-los. Próximo de metrô, ou de barraquinhas de comida as pombas andam em bando. É assustador... pra mim. São sujas, transmitem doenças, sem falar no arrulho. Ô barulho mais estranho!

É claro que essa estranheza tem explicação, aliás, bem bizarra e incomum. Meu pai biológico deixava mamãe grávida, de mim, em casa esperando para o jantar, enquanto ele estava lá com os malditos pombos-correios. Era a paixão dele. Ah, não poderia ser diferente, a raiva dela com os pombos com certeza passou pra mim. Justo.

Me lembro de duas situações em que os pombos fizeram suas necessidades fisiológicas em mim. A primeira vez eu deveria ter uns quatro anos eu estava com uma blusa linda. Depois foi aos seis e pegou bem no meu cabelo! Me disseram que era sorte. Oi? Não serviu de consolo. Mas de fato, a sorte anda ao meu lado, mas isso são outros quinhentos.

O fato é que na semana passada eu estava passeando meus pais, toda feliz e comprando umas roupinhas de invernonum domingo - merecido - de folga. Ganhei deles uma linda jaqueta de couro, macia e que parece ter sido feita sob encomenda para o meu corpo. Comprei um shorts de couro off white detalhado e pra finalizar uma bota. Olé, dá-lhe couro.

Ainda que eu não seja uma consumista de plantão, qual é a mulher que não fica feliz depois de umas comprinhas? Vi minha euforia se desmanchando no final do dia, enquanto eu assistia a uma reportagem da Sônia Bridi para o Fantástico. Uma reportagem, um tanto quanto exótica sobre animais, explicava o segredo da maciez das roupas de couro. No Marrocos, as fezes dos pombos são usadas como uma espécie de amaciante durante o processo de coloração. Assim, descobri a procedência da minha jaqueta de couro. Que vivam os pombos!

Ignorância mata!

Acordei feliz da vida porque é sexta-feira e, apesar do plantão, tenho um monte de plano para o feriado.
Como de costume, liguei o rádio e fui preparar meu café da manhã. Coloquei a roupa na máquina, quando de repente escutei sobre um acidente grave na serra gaúcha envolvendo uma equipe de jornalismo. Que merda! Pensei. Um pesadelo, do qual ainda não me recuperei totalmente, voltou à minha cabeça.

Hoje perdermos, nós jornalistas, mais dois colegas de trabalho. Outra vez a imprudência de um motorista levou a vida de Enildo Paulo Pereira, o Paulão, e o repórter cinematográfico Ezequiel Barboza, da Tv Bandeirantes de Porto Alegre. Ainda estava escuro, o dia não tinha amenhecido por completo e um comboio de jornalistas e policiais seguiam pela BR-111 para uma operação policial, quando um caminhão descovergado invadiu a pista na contramão e esmagou o carro da emissora, além de atingir outros veículos da Record, da RBS (afiliada da Globo) e da Polícia Civil.

Na hora do almoço, os telejornais traziam as imagens. Nas agências, as informações atualizadas. No facebook, as homenagens. Tristeza. Tentei não me deixar abater. Ainda é muito difícil para mim, que perdi uma amiga também pela irresponsabilidade de um motorista de ônibus no final do ano passado. Acidente que deixou outras colegas gravimente feridas. O motorista? Continua trabalhando e acerlerando na pista, não freando nas curvas, dirigindo como se não houvesse dezenas de vidas literalmente em suas mãos. Até hoje eu me pergunto como ele consegue deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Será que ele tem filha? Será que ela anda de ônibus?

No feriado da Páscoa fui pro Maranhão. Para chegar em Barreirinhas, cidade dos Lençóis Maranhenses, foi um tormento. Pior ainda foi a volta. Estrada boa, asfalto liso, um bom convite aos imprudentes irresponsáveis. O motorista do microônibus estava acima da velocidade. Não usava cinto de segurança. Ele lia um papel qualquer, falava ao celular. Ultrapassava todos os carros que tinham pela frente. Por que? Por que correr? Por que não andar na velocidade máxima permitida? Ele era jovem. Tinha uma aliança na mão direita, deve ser noivo. Senti vontade de ir até ele e perguntar se ele pretendia casar, ter filhos, formar uma família. Perguntar se ele tem uma família, se ele tem mãe. Não é possível que alguém que gosta da vida, que tenha objetivo algum dirigia daquele jeito. Me contive. Não quis dar chilique. Pensei que enlouqueceria. Nada era suficiente para me distrair, nem livro, nem música. Rezei, rezei muito. Graças a Deus cheguei no aerorpoto e melhor ainda na minha casa. No final da viagem perguntei pra minha amiga-companheira se ela achou que eu estava neurótica ou se o motorista era um ignorante imprudente. Ela concordou comigo, apesar de eu estar mais assustada que o "normal". Também pudera. Só eu e meu Deus sabemos o que eu passei há quatro meses, pensamentos, sexto sentido, angústia, medo.

Imprudência mata. Ignorância mata. Não entra na minha cabeça um motorista, seja de ônibus, caminhão, carro, tomar rebite, andar acima da velocidade, dirigir como se estivesse em uma via livre onde não houvesse nada, nem ninguém. Como pode alguém não usar cinto? Como pode beber e dirigir?

A Polícia Rodoviária Federal junto ao governo estadual soltam balanços pós-feriado do número de queda nos acidentes. Comemorar a queda? Vamos comemorar a vida! Dar educação aos motoristas, fazer manutenção nas estradas, equipá-las com segurança. Há quantos anos a BR-116, que leva ao sul do país, é conhecida como a estrada da morte? Bom, eu pelo menos ouço isso desde que nasci e olha que são 27 anos, quase 28 e ainda tem gente morrendo lá todos os dias. Os acidentes ainda acontecem porque o Judiciário não é severo. Falta rigor na penalidade. Motoristas imprudentes saem matando gente nas ruas, nas avenidas, nas estradas. E depois? Continuam dirigindo.

É ano de eleição. Vamos pensar. Que ótimo que o Brasil passou a Gra-Bretanha e se tornou a sexta economia mundial. Que possamos ter cidadãos dignos de ocupar uma posição como a qual ultrapassamos. Cidadãos que se respeitem, cidadãos não ignorantes.

Previna-se, por Vinicius Mota da Folha de São Paulo

Como nem todos podem ler, pois é acesso restrito aos assinantes da Folha e UOL, compartilho com vocês. Vale a pena ler.

Previna-se
Por Vinicius Mota

Cuidado, leitor. Em algum momento do escândalo do Cachoeira surgirá a senha: reforma política. Desconfie.
Toda vez que uma onda de revelações de desmandos respinga em gente graúda, a resposta no comando da política tem sido a de relativizar as responsabilidades individuais. O problema seria mais do sistema, que induz o coitado do político a corromper-se, que de conduta pessoal.
Então reforme-se o sistema. De início, nossas lideranças costumam prescrever o financiamento público das campanhas como antídoto para a insidiosa penetração do poder econômico nas eleições e nos negócios dos governos.
A proposta em geral surge com omissões importantes. Não menciona que o financiamento público das campanhas já existe. Nos últimos quatro anos, o erário tomou R$ 800 milhões dos nossos impostos, em dinheiro corrigido pela inflação, e os distribuiu às agremiações nacionais.
Além dessa grana, enviada pelo Fundo Partidário, outra fatia generosa de recursos é repassada por renúncia fiscal, a fim de bancar o horário eleitoral, erradamente chamado de gratuito, no rádio e na TV. As emissoras cedem o espaço e deixam de pagar imposto no montante equivalente àquele lote de programação.
A reforma ansiada por muitos de nossos bravos políticos, na verdade, seria estabelecer o financiamento público exclusivo das campanhas. Querem vedar na lei as doações de empresas e cidadãos.
Fica clara a emboscada: como não haveria mais possibilidade legal de financiamento privado, os partidos gostariam de ver aumentados os recursos dos cofres públicos. As doações privadas declaradas, apenas nas eleições para o Congresso Nacional em 2010, ultrapassaram R$ 850 milhões, em valores de hoje.
Como corre solto o caixa dois, que já é proibido, toda a conversa de financiamento público só tem uma vítima. Nós, pagadores de impostos.
vinimota@uol.com.br

Filosofia de banheiro

Foto extraída do Google Imagens

Desde criança eu sempre gostei de ir ao banheiro de cada lugar que eu vistava. Fosse na escola, no teatro, na casa da amiga. Não que eu tivesse algum problema urinário, ao contrário, sempre tive preguiça de fazer xixi, acho que é como o sono, um tempo perdido, no entanto, necessário. As constantes visitas me fizeram ganhar diferentes experiências. Me lembro da minha mãe e da minha tia sempre me levando aos toilettes. Muitas vezes eu nem estava com vontade de usar, mas ia ao banheiro e, pelo menos, lavava as mãos, e assim conhecia o ambiente. Lembro de banheiros de restaurantes que eu frequentava com a família. Também me lembro do banheiro do buffet mais tradicional desta cidade, um luxo só! O papel de parede era o mais bonito que eu já havia visto. O banheiro de criança é todo decorado com as coisas mais fofas e mais coloridas, às vezes um exagero. E os banheiros dos hotéis nos States? Duas banheiras, duas pias, dois vasos, duas duchas. Os norte-americanos já são seres individualistas, pior ainda com a higiene pessoal! Bom, mas os banheiros das baladas de Las Vegas são os mais úteis. Tem de tudo. Tem chiclete, perfume, todo tipo de make up, absorvente, bala, tudo isso e muito mais por apenas 1 dólar! Banheiro de motel também é interessante. Já fui em banheiro de balada em São Paulo que mais pareceria a cracolândia de tanta gente se drogando. Adoro os banheiros de apartamento decorado. Com certeza a pior experiência foi em um banheiro durante a parada de uma viagem de 12 horas a caminho do deserto boliviano. Não existia água encanada. Terrível, ninguém merece ler o que eu passei por lá.

Ainda não descobri porque tenho essa saga com banheiro. Talvez um dia eu descubra ou não, mas o fato é que eu tenho uma praticidade em fazer xixi nos mais diversos ambientes, nos banheiros apertados, dos sujos aos luxuosos, e inclusive no trabalho. Principalmente no trabalho. E que coragem é preciso ter, até mesmo mais que aquele sujão da Bolívia, afinal só fui uma vez, o do trabalho tenho que ir todos os dias.

Além de encarar a constante sujeira deixada pelas mulheres letradas - o pessoal da limpeza além de não dar conta também se ausenta - nos vasos, no chão. Lixo transbordando. E ainda sou surpreendida pela falta de papel para enxugar as mãos. Não porque as auxiliares de limpeza não colocam. Mas eu puxo, ele rasga e não sai, ou sai somente os pedaços nas minhas mãos. O compartimento do papel higiênico de rolo vira e mexe abre e fica caído. O sabonete líquido não sai, aperta, aperta e nada.

Bom, o mais curioso de tudo isso é o nome estampado em todos esses compartimentos que não funcionam e eu tenho que fazer milagre pra conseguir usar: Melhoramentos.

Agora, o que diz o dicionário Houaiss sobre a palavra melhoramento:
substantivo masculino
ato ou efeito de melhorar(-se); melhora, melhorada
1 mudança para melhor; benfeitoria, melhora

Ou a empresa melhora seus produtos ou então deveria mudar de nome.

O caos no transporte público

Não é novidade pra ninguém que o transporte público no Brasil é atrasado e que não atende a demanda. Que é superlotado.

O que eu não sabia - e olha que sou usuária de ônibus e metrô assídua - é que não vamos conseguir tirar o atraso nunca! Pelo menos essa é a opinião dos especialistas que entrevistei durante a produção da série de reportagens exibida no Jornal da Record.

Por exemplo: o metrô no Brasil iniciou suas operações na década de 1970 quando as cidades já estavam superlotadas. Enquanto na Europa, o transporte sobre os trilhos é do século XIX, o que facilitou que o desenvolvimento no transporte acompanhasse o avanço no número da população.

É notável que falta investimento no transporte neste país. E por que não correr atrás do prejuízo? Segundo especialistas em transporte, porque não daria tempo, estaríamos sempre atrasados por conta do crescimento da população, pela falta de espaço físico e, claro, pelo custo bilionário que em alguns casos impagáveis.

O metrô de São Paulo, apesar de ser um dos mais seguros do mundo, é o mais lotado. No horário de pico são, em média, 10 pessoas por metro quadrado. Enquanto, o recomendável no projeto de construção é de seis pessoas, sete sendo o mais tolerável possível.


Abaixo os links das reportagens:

Ônibus

Trem

Metrô

Barca

Van


Informações

(fonte: Metrô de São Paulo)

O início da operação do metrô na capital paulista foi em 1974.
O Metrô de São Paulo possuí 62 estações divididas em 5 linhas (azul, verde, vermelha, amarela e lilás). Em média, pelo menos 3 milhões de pessoas passam pela rede diariamente. Em 2011, foram transportados 3,7 milhões de usuários em média nos dias úteis, considerando-se as entradas mais as transferências entre as linhas do Metrô.
A linha 3-vermelha, que liga a zona leste à oeste da capital, é a mais movimentada. Por lá passam 1 milhão e 200 mil pessoas por dia.
Circulam na estação Sé, considerando-se as entradas, saídas e transferências entre as linhas 1-Azul e 3-Vermelha, aproximadamente 796 mil passageiros em dia útil.
O tempo médio de percurso entre duas estações do sistema é estimado em 2 minutos.


--> Perfil dousuário do Metrô em São Paulo:
- 55% são mulheres
- 51% são jovens, entre 18 e 34 anos
- 50% tem pelo menos o 2º grau completo
- a renda média familiar do usuário é de R$ 3.659,00
- 41% exercem funções burocráticas
- 70% tem vínculo empregatício
- 85% são usuários habituais (usam o metrô 3 dias ou mais na seman)
- 75% são usuários de outra condução conjugada ao metrô
- 28% são residentes na zona leste
- 27% são residentes na zona sul
- 22% são residentes na Grande São Paulo

Valor da passagem: R$ 3,00.
A integração com o ônibus tem o custo adicional de R$ 1,65.


ENQUANTO ISSO LÁ FORA...
(fonte: informações extraídas do site do metrô de cada uma dessas cidades)

Para uma simples comparação, o metrô de Londres, na Inglaterra, tem 270 estações. Inaugurado em 1863 é o mais antigo do mundo. São 400 quilômetros que cortam a cidade.
Na Cidade do México, o metrô é composto por 11 linhas com 175 estações distribuídas em 201 de malha metroviária. O metrô foi construído na mesma época em que o de São Paulo, ou seja, na década de 1970.
Número de passageiros mexicanos transportados em 2011: 487 milhões 525 mil 176 usuários.
A passagem custa 3 pesos.

O Brasil das filas


Fila no terminal de ônibus.
Fila no metrô.
Fila no posto de saúde.
Fila no banco.
Fila no posto do INSS.
Fila no mercado.
Filas, filas e filas no trânsito.
Fila no estacionamento.
Fila no elevador.
Fila no shopping.
Fila no restaurante.
Fila no cinema.
Fila no banheiro.


Trabalhar dobrado para conseguir uma folga num feriado e poder viajar vale a pena. O que não vale é passar mais tempo no trajeto de Cumbica para casa do que o tempo de voo de São Luís, no Maranhão, para São Paulo, que foi de 3 horas.

Cumbica até minha casa:
às 5h30 o avião aterrissa.
às 06h00 pego a mala.
às 06h30 o bus service sai de Cumbica.
às 08h00 chego em Congonhas.
1 HORA E MEIA na FILA do táxi.
às 09h30 consigo um carro.
às 10h00 chego em casa.

É ou não é o Brasil das filas?

P.S. É impossível avistar o final da fila, isso porque quando tirei a foto eu estava na metade dela. Dica: clique na foto para uma melhor resolução do caos.